Viver de capoeira é um sonho para muitos capoeiristas. É um trabalho sério e gratificador, por isso é importante organização, planejamento e disciplina. Esse comentário técnico é destinado aos capoeiristas que desejam dedicar-se a prática cultural e do ensino da capoeiragem.
A missão de transmitir e preservar esse saber não é para qualquer um, mesmo para quem é possuidor do talento e da habilidade, valores importantes, mas insuficiente para desenvolver um trabalho sustentável. Existem muitos exemplos a serem apontados, e que servirão como referência.
Em tempos de redes sociais em que o legítimo detentor da capoeiragem concorre com o modismo difundido por vídeos de apps e IAs, uma outra exigência surge no horizonte do profissional da capoeira, a capacitação em gestão.
Capacitar-se em gestão cultural é obter autonomia para a concorrência e participação nos processos de captação de recursos como aqueles que implementados pela Politica Nacional Cultura Viva, e mais recentemente a PNAB Política Nacional Aldir Blanc.
E de compreensão de todos os praticantes da capoeira que ela é uma cultura multidisciplinar e possui dimensões que tem servido para muitos capoeiras desenvolverem seus trabalhos e projetos. Nesse sentido lembremos que a capoeira se vale da dimensão econômica sendo classificada como uma atividade que se enquadra no campo da economia criativa.
A Economia Criativa é um conceito criado para nomear modelos de negócio ou gestão que se originam das atividades desenvolvidas a partir do conhecimento, criatividade ou capital intelectual de indivíduos com vistas à geração de trabalho e renda. (Sebrae, 2016).
A prática da capoeira em todas as suas dimensões se caracteriza como um exercício acobertado pelo conceito de Economia Criativa. Confecção de instrumentos musicais, uniformes e grifes, organização e administração de espaços para a transmissão dos saberes, realização de eventos como cursos e workshops, gravação de músicas, mensalidades, entre outras iniciativas dão conta dessa conceituação.
Esse conjunto de operações estão assentadas na cadeia de produção, criação e difusão dos saberes proporcionados pela Economia da Capoeira ou Criativa, responsável pela sustentabilidade de muitos capoeiristas. […] a economia criativa compreende setores e processos que têm como insumo a criatividade, em especial a cultura, para gerar localmente e distribuir globalmente bens e serviços com valor simbólico e econômico. (Reis, 2008, p.24)
Para encerrar essa primeira conversa, fica a contribuição para quem se dispuser à capacitação em gestão e difusão cultural. Ajudar os capoeiras a conquistar autonomia técnica e crítica para a participação e concorrência nos processos de captação de recursos, é um dos propósitos dessa iniciativa editorial.
Nos próximos textos e vídeos vamos delinear as ações necessárias para a conquista de mais esse conhecimento. Axé

