Tomo aqui um compromisso, possível graças as artimanhas da internet. Vou escrever comentários acerca da obra Os Capoeiras de autoria de Plácido Abreu. Esse livro é considerado o primeiro a ser escrito sobre a capoeira e os capoeiras no Brasil em 1886. Historiadores como Fred Abreu, Antonio Liberac e Carlos Eugenio Libano certamente se debruçaram sobre as escritas desse livro, que marca por possuir um português antigo.
Diferente dos historiadores citado, farei um comentário meramente jornalístico da obra, portanto distante de uma observação rigorosa e metodológica. Esse livro que desperta o desejo de leitura de muitos capoeiras e pesquisadores, encontra-lo nãos foi tarefa simples. O exemplar físico desse livro é raro, quem tem, possui uma relíquia que custa entre R$ 200 reais a R$ 1.200 reais numa busca rápida na internet. No entanto é possível encontra-lo no formato PDF. No meu caso tive que pagar uma assinatura para conseguir a versão digitalizada.
Independentemente de qualquer esforço, a leitura desse livro é um desejo antigo que seguramente deverá valer o esforço qual seja. Dito isso, feito a longa introdução vamos então ao assunto em questão.
Primeiro, quem foi Placido de Abreu?
Um dos mais famosos ”capoeiras amadores” era Plácido de Abreu Moraes. Nascido em Portugal em 1857, como tantos imigrantes portugueses que vieram ao Brasil “fazer a América”, ele desembarcou no Rio na passagem da puberdade para adolescência. Logo estava envolvido em grupos de capoeiras. Em janeiro de 1872, no auge da repressão dirigida por Ludgero Gonçalves da Silva, Plácido era preso para averiguações por causa de um crime de morte. Depois de conseguir um emprego de caixeiro, Plácido passou a se dedicar à vida literária. Aprendeu tipografia. A sua obra mais importante para nós é o opúsculo Os Capoeiras. Sua outra obra, Nagôas e Guayamús, permanece desaparecida. Apesar de republicano da primeira hora, se desencantou quando o Marechal de Ferro Floriano Peixoto rasgou a constituição de 1891. Aderiu à Revolta da Armada, e foi assassinado em fevereiro de 1894.” *(CapoeiraNews)
Antes da introdução, Abreu descreve suas impressões acerca da origem da capoeira. Entre muitos aspectos que merecem apontamentos, destaco com dois. O primeiro é sobre a escrita, as palavras. O português que se desenrola ao longo da obra é o vocabulário característico do seu tempo como podemos notar nesse trecho. Quando inceter esse livro, atrocidades commettidas por capoeiras desde epochas (…). O outro apontamento é sobre segundo ele, a origem desconhecida da capoeira. Naquela época o que se sabia a respeito da capoeiragem era de uma origem incerta.
De acordo com ele alguns atribuíam a capoeira uma prática vinda do continente de África, e que é refutado porque segundo seu argumento, a capoeiragem praticada no Brasil é desconhecida naquele continente. Outro argumento de origem é que ela foi criada pelos indígenas, no texto tratado como índios, mas que também é refutado porque para ela os indígenas não possuíam os meios, conhecimento, necessários para emprega-los como instrumento de defesa e ataque. Lembremos que se trata de um livro escrito no final do século XIX.
A conclusão de Plácido Abreu é de que a capoeiragem, como ele conhece, se desenvolve entre eles, na cidade o Rio de Janeiro em meio aos conflitos sociais caracterizados pelas Maltas, mais especificamente entre Nagoas e Guaiamuns, e que em ultima analise se corresponde com as contribuições do Dossiê da capoeira organizada pelo Ministério da Cultura em 2008.
Essa é a primeira narrativa, o primeiro comentário acerca da obra de Plácido Abreu. A fonte para esse comentário está assentado na segunda página no livro Os Capoeiras.
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*(https://www.capoeiranews.com.br/2017/04/placido-de-abreu-um-capoeirista.html) 05/11/2025

